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Worship: Adoração espontânea ou mantra gospel?

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Visitation_One Ver Drop Down
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    Postado: 05/09/19 as 00:42
Salve, grandes bateras! Perdoem o sumiço, fazia muito tempo que não participava aqui do fórum. Estou ansioso para ouvir a opinião de outros bateristas sobre a onda worship, um gênero musical que está em voga em quase todas as igrejas (à exceção das pentecostais e neopentecostais, talvez).

Tentando ser imparcial num primeiro momento, as canções worship seguem uma estrutura quase padrão: introdução baseada no teclado, versos e refrões repetidos intensamente e bem marcados, grooves de bateria praticamente sem pausa entre notas, altos e baixos conduzidos pelos crescendos, sendo que a bateria sempre responsável por iniciar o crescendo. A condução nos refrões é sempre crasheada, mas não no crash ou no crash/ride; usa-se o ride para conduzir "crasheando". Com isso, o volume dos pratos na música ganha muita projeção. Normalmente, a canção é acompanhada de ministrações, que elevam o tempo total da música para cerca de 10 minutos, como neste exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=Fjhx4ZIT08c

Agora sem tentar ser imparcial, acho que o worship pode gerar uma série de problemas se for o estilo predominante em uma banda ou grupo de louvor. Primeiro, ao mesmo tempo em que a maioria das igrejas tem problemas com acústicas, o louvor escolhe músicas extremamente barulhentas. Não dá pra crashear em um ride (ou que seja num crash) sem elevar muito o som. E isso se fosse só a bateria; mas, no worship, todos os instrumentos tocam com muita pressão e juntos. Até os vídeos oficiais das músicas têm o som embolado. Segundo, a repetição. Há quem diga que worship é só repetição e marcação, dizendo: "você nem precisar saber tocar; é só saber marcar e ficar repetindo a coisa ad infinitum". Acho essa opinião um pouco exagerada, mas, visitando uma igreja onde toquei certa vez, contei um dos refrões sendo repetido umas 15 vezes. Realmente as partes são repetidas em excesso. Em terceiro e último lugar, a profundidade da música. A opinião da maioria dos músicos experientes é de que o worship é um estilo que tenta causar emoção pela forma como é tocado/cantado, e não pela profundidade da música.

E vocês, que opinião têm sobre o worship??
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Bruno S.G. Ver Drop Down
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Worship é uma pau no cuzice sem tamanho!
Lixo musical religioso pra mexer na mente dos pobres coitados que estão fudidos e destroçados emocionalmente.

Além da questão religiosa aproveitadora, musicalmente é ULTRA IRRITANTE!
- @brunoskull
Ñ RESPONDO DÚVIDAS POR MP!!!
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Visitation_One Ver Drop Down
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Originalmente postado por Bruno S.G. Bruno S.G. escreveu:

Worship é uma pau no cuzice sem tamanho!
Lixo musical religioso pra mexer na mente dos pobres coitados que estão fudidos e destroçados emocionalmente.

Além da questão religiosa aproveitadora, musicalmente é ULTRA IRRITANTE!


Você realmente tem aversão ao estilo, mano! Não gosto de worship como estilo predominante na banda, porque aí sim, é ultra-irritante. Mas uma ou outra música no repertório não me incomodam tanto assim, desde que não se repita tanto a música.
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Fill Gomes Ver Drop Down
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Opções da Mensagem Opções da Mensagem   Agradecimentos (0) Agradecimentos(0)   Citar Fill Gomes Citar  ResponderResponder Link direto para este Post Postado: 13/09/19 as 11:48
Rapaz, minha igreja toca predominantemente Worship. Vira e mexe eu coloco alguma variação que fuja um pouco da repetição do estilo. Mas, é muito complicado. O Worship consegue unificar a música cristã mundial. Praticamente, é o que o mundo todo toca. Os caras estão desenvolvendo muito o uso de pads e timbres surreais de teclado, mas não é um estilo muito versátil. Sempre que posso, dou uma escapada dessa uniformização, mas respeito o "espírito" desse tempo. Moderação é tudo!
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Visitation_One Ver Drop Down
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Originalmente postado por Fill Gomes Fill Gomes escreveu:

Rapaz, minha igreja toca predominantemente Worship. Vira e mexe eu coloco alguma variação que fuja um pouco da repetição do estilo. Mas, é muito complicado. O Worship consegue unificar a música cristã mundial. Praticamente, é o que o mundo todo toca. Os caras estão desenvolvendo muito o uso de pads e timbres surreais de teclado, mas não é um estilo muito versátil. Sempre que posso, dou uma escapada dessa uniformização, mas respeito o "espírito" desse tempo. Moderação é tudo!


Boa, mano! Eu tento fazer o mesmo, mas, como bateristas, somos meio limitados na hora de alterar a identidade de um estilo como esse. O lance de unificar a música cristã mundial pode parecer legal pra quem não é músico, mas, como artistas que também somos, acho que acreditamos que a música não deve ser unificada. O que a torna uma arte é exatamente a diversidade! Eu gosto muito dos sons de algumas músicas, mas isso praticamente força o baterista a comprar um samplepad (eu já estou quase comprando o meu rsrs)

Abração!


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MarvinSantaela Ver Drop Down
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Opções da Mensagem Opções da Mensagem   Agradecimentos (0) Agradecimentos(0)   Citar MarvinSantaela Citar  ResponderResponder Link direto para este Post Postado: 27/08/20 as 13:06
Bom galera, já fui bastante averso ao estilo worship achando muitas vezes que era só questão de repetição e bater forte nos tambores e rachar os pratos rs

Mas tenho estudado e pesquisado um pouco mais sobre isso até por necessidade de se atualizar porque passou de ser uma onda e se tornou um estilo musical. Posso estudar jazz, rock, pop, reggae mas não posso ignorar e não estudar worship.

Com isso vi que pude aprender bastante coisas porque até pela parte da emoção, tocar worship é como se fosse contar uma história: um começo suave sem exagero, controle de volume e dinâmica, saber a hora certa de começar a marcar, crescer para o ápice e depois não parar repentinamente para ter um "final feliz"

Não é algo pobre musicalmente, muito pelo contrario, o mercado e as marcas estão se virando para atender esse publico com caixas 14x8, hihat acima de 15", crashes de 20" e rides de 24"...Zildjian e Sabian já tem o próprio pack worship porque existe a demanda. Os turcos tem ganhado mercado por causa desse publico tbm

Falar mal e criticar como nosso amigo ali em cima, é ser ignorante pq a musica como arte serve sim para tocar na emoção das pessoas independente de religião e deus(es), e em toda essa construção de pads, dinâmica e passagens o worship cumpre o seu papel

Grande abraço!
@marvinsantaela
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RenanTrz Ver Drop Down
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Opções da Mensagem Opções da Mensagem   Agradecimentos (0) Agradecimentos(0)   Citar RenanTrz Citar  ResponderResponder Link direto para este Post Postado: 29/09/20 as 13:37
Salve, rapaziada! Novo no fórum aqui... Véio na música mas novo na batera.

Respondendo ao primeiro posto do tópico.
O primeiro ponto que quero discorrer é do som embolado. Cara, eu venho do metal, e lá a gente faz bastante barulho, e ainda assim há gravações muito emboladas, tipo wall of sound, e outras com bastante separação, além de tudo que está entre esses dois extremos.
Eu acredito que se tratando de gravação, essa característica de som embolado, só é um problema se não foi intencional. Eu acredito que pode haver a intenção com o objetivo de ser mais fácil de o crente que canta junto se misturar no som formando uma unidade, o que poderia inclusive corroborar com os princípios da religião cristã. De quebra ainda dá uma mascarada em erros do crente que canta junto mas não é cantor, e isso poderia ser um incentivo para todos cantarem, reforçando tudo acima...

Mas isso é só uma presunção, quem vai poder dizer se isso tá certo ou não são os responsáveis pela gravação. Se essa característica realmente for um problema, daí eu diria que é muito mais um problema da gravação, e menos de execução ou do gênero em si.


Falando um pouco do mesmo assunto mas no som ao vivo. Como bem colocado por você, só o fato de todos os instrumentos baterem juntos e bater forte já vai puxar mais pra embolar o som. Sendo assim, cabe ao músico aquela responsabilidade as vezes negligenciada de saber se adequar ao contexto, de conhecer teu equipo e tirar o som certo dele, e não o som que agrada ao ego. Olha só hahaha acaba pegando um pouco sobre algumas filosofias cristãs também hahaha

Como eu sou primeiro guitarrista que toca batera, e não baterista, sei bem como é aquele músico que escuta um som foda no CD e quer recriar ao vivo, ou o cara sabe chegar num timbre foda mas que ele não é adequado ao contexto e o cara não quer passar por cima do ego mudando o timbre, enfim...
O ponto é que a banda tem que saber "se mixar", cada um saber seu espaço dentro do espectro de frequências e respeitar seus limites pra não cobrir o som do colega, o que no fim zoa o som da banda e da música. Esses limites de timbre devem ser espremidos mais quando se toca com mais volume e em ambientes menores, já que quando tu mete a mão no volume o som já vai preencher mais mesmo sem querer.


Agora minha opinião ao estilo.
Bom, já começo por mostrar minha vergonha por pessoas como o colega do segundo post. Os nao-cristaos e pessoas em geral que não gostam de worship não precisam ser um pau no cu simplesmente por não gostar de algo. E o fato de dentro do metal ter um cuzao que queimou igrejas não faz do metal todo um movimento ruim que só faz merda, de maneira análoga os benefícios da religião não podem ser ignorados porque há picaretas. O problema é a pessoa mau caráter, e não a religião onde ela opera sua maldade.

Cara, o fulano que é músico já tocou 4/4 infinitas vezes, já fez backbeat no 2 e no 4 mais vezes do que se possa contar, e já escutou a progressão I - V - VI - IV vezes demais. O cara que não é músico também já viu tudo isso, mas não prestou tanta atenção e não reproduziu, daí que ele se importa menos do que a gente em ter isso MAIS UMA VEZ (virando os olhos).

Mas aqui não se trata do músico, se trata da adoração (dãã), e isso vem mais fácil nesses moldes do worship, ao menos pra um número grande de pessoas. É como um pop destinado a crentes. Tem seu espaço, e cumpre seu objetivo. Eu acho absurdamente enfadonho e desinteressante, mas super compreendo que é algo válido. Talvez num contexto diferente os músicos tenham mais liberdade pra "tunar" a música e talvez pra repetir menos, ou colocar pequenos adendos a cada repetição, mas não no contexto normal das igrejas (eu acho).
Como eu não sou dessas igrejas, prefiro simplesmente manter distância disso hahaha

Só pra ficar claro, sou cristão mas não sou de igreja nenhuma.

Marvin, veja que a demanda pra este tipo de som não é só para o worship; recentemente o Stephen Clark, do canal non-glamurous drummer no YT fez um video mostrando um "hi hat" de 20 polegadas, justamente pra dar aquele som arrastado que perdura por bastante tempo. O título do vídeo é "do giant hi hats sound better"

Editado por RenanTrz - 29/09/20 as 13:46
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MarvinSantaela Ver Drop Down
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Opções da Mensagem Opções da Mensagem   Agradecimentos (0) Agradecimentos(0)   Citar MarvinSantaela Citar  ResponderResponder Link direto para este Post Postado: 29/09/20 as 14:22
Perfeita colocação Renan!
Legal! Vou ver esse vídeo agora mesmo, não sabia que era uma tendência de todos já


@marvinsantaela
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Visitation_One Ver Drop Down
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Excelente ponto de vista, Renan. Vou ser mais breve, mas gostaria de comentar sobre dois pontos específicos do seu texto:

Originalmente postado por RenanTrz RenanTrz escreveu:

...essa característica de som embolado (...) é muito mais um problema da gravação, e menos de execução ou do gênero em si.


Exatamente. Se isso fosse um problema de gravação, mas não é. Não acredito que algum artista investiria dinheiro em músicas que não ficassem exatamente como planejado no fim das contas. Também não é um problema de execução, porque os ministérios ou bandas tiram a música em cima do original (existem até vários drum covers para isso, embora não seja necessário assistir a um drum cover para tirar músicas tão simples, na minha opinião). Pela sua lista, só sobrou o gênero como culpado. No ministério de louvor onde toco, alguns irmãos querem tirar uma música gritada, com guitarra alta, baixo alto, pads o tempo inteiro e, para a cereja do bolo, uma bateria conduzindo nos pratos da forma que produz mais volume conhecida até hoje (condução no crash ou ride) e usando grooves cheios em que pausas simplesmente não existem. No DVD funciona, mas o que acontece com essa música na igreja? Já vi bandas que quase derrubam a igreja como Josué em Jericó. É muito diferente da boa música, em que um instrumento preenche os espaços deixados pelos outros. E o principal é que o estilo precisa de volume (leia-se barulho) para funcionar: não adianta tocar worship com vassourinhas ou rods. Quando eu aviso isso, a liderança já sabe que, se pedirem para tocarmos uma música desse gênero, não adianta vir reclamar de som alto depois do culto, que a resposta já está decorada.

Originalmente postado por RenanTrz RenanTrz escreveu:

Mas aqui não se trata do músico, se trata da adoração (dãã), e isso vem mais fácil nesses moldes do worship, ao menos pra um número grande de pessoas. É como um pop destinado a crentes. Tem seu espaço, e cumpre seu objetivo. Eu acho absurdamente enfadonho e desinteressante, mas super compreendo que é algo válido. Talvez num contexto diferente os músicos tenham mais liberdade pra "tunar" a música e talvez pra repetir menos, ou colocar pequenos adendos a cada repetição, mas não no contexto normal das igrejas (eu acho).


Concordo mais uma vez! Só que é exatamente essa falta de liberdade que torna a música secular tão mais atraente que a música gospel. Sinceramente, das últimas 30 músicas que aprendi, umas 6 devem ser gospel. Isso porque, como você diz, o foco da música cristã é a adoração, mas não tem mesmo conteúdo musical no gospel de 2020. Quanto à adoração vir mais fácil nos moldes do worship, isso confirma que é um estilo feito para simplesmente emocionar (quer exemplo maior do que o worship do Homenzinho Torto?) Não sei qual é exatamente o seu contexto, mas no meu (igreja batista), modismos são vistos com cuidado. Tocamos worship sim, mas umas duas músicas por semana. E sem tantas repetições ou aquela ministração infinita... cortamos a música pela metade.
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RenanTrz Ver Drop Down
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Originalmente postado por Visitation_One Visitation_One escreveu:

Exatamente. Se isso fosse um problema de gravação, mas não é. Não acredito que algum artista investiria dinheiro em músicas que não ficassem exatamente como planejado no fim das contas.
Bem, assim como um músico pode cometer um erro ou deslize durante uma gravação, os técnicos responsáveis pela gravação também são humanos e podem errar. Na época da fita era mais comum se escutar "erros" de gravação, por exemplo em good times bad times do led zep;
Nos dias atuais é menos comum, e inclusive a "perfeição" (entre aspas porque é subjetivo de acordo com a percepção e objetivo das pessoas) é algo quase que mandatório e de certo modo enraizado a ponto de ser exigido pela demanda, os ouvintes e por tabela os artistas também.
Ainda assim, vemos alguns casos onde ocorrem erros, como no caso daquela música da Ariana Grande que ficou com o hi-hat alto pra cacete e o bagulho foi desse jeito mesmo pra rádio. Mano, o investimento alí é absurdo de grande, e aquilo simplesmente não soa bem, não tem como ser proposital, houve um erro e provavelmente foram vários erros em cascata, de gente que deveria ter visto o hi hat alto e não viu.

De todo modo, acho que não é esse o caso porque não é uma gravação que foi feita assim, é uma tendência que se reforçou a tal ponto que é isso que se espera, então parece que já faz parte da característica do gênero mesmo.

Originalmente postado por Visitation_One Visitation_One escreveu:

Também não é um problema de execução, porque os ministérios ou bandas tiram a música em cima do original

Na minha opinião, e há quem discorde, a boa execução se adequa ao contexto, e não necessariamente reproduz a obra exatamente como é originalmente. Num contexto de música erudita é esperado que se execute com alta fidelidade, tal qual numa banda tributo, mas outros contextos não pedem isso. Eu, por exemplo, toco guitarra num quarteto e sou o único guita. Na música even flow, que tem duas guitas tocando coisas diferentes, eu tive que adaptar o arranjo pra uma guita só. Eu acho que neste contexto, tocar como o original seria um erro de execução, já que o som da banda como um todo poderia ficar com mais espaços indevidos. De maneira semelhante, se tu sabe que o worship é barulhento pra bexiga e tu sabe que vai tocar num ambiente pequeno e com pouco ou nenhum tratamento, tu segura a mão até onde dá, sabendo que há um limite de até onde é possível controlar o som sem descaracterizar a música.


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Originalmente postado por Visitation_One Visitation_One escreveu:

</span>Pela sua lista, só sobrou o gênero como culpado. No ministério de louvor onde toco, alguns irmãos querem tirar uma música gritada, com guitarra alta, baixo alto, pads o tempo inteiro e, para a cereja do bolo, uma bateria conduzindo nos pratos da forma que produz mais volume conhecida até hoje (condução no crash ou ride) e usando grooves cheios em que pausas simplesmente não existem. No DVD funciona, mas o que acontece com essa música na igreja? Já vi bandas que quase derrubam a igreja como Josué em Jericó. É muito diferente da boa música, em que um instrumento preenche os espaços deixados pelos outros. E o principal é que o estilo precisa de volume (leia-se barulho) para funcionar: não adianta tocar worship com vassourinhas ou rods. Quando eu aviso isso, a liderança já sabe que, se pedirem para tocarmos uma música desse gênero, não adianta vir reclamar de som alto depois do culto, que a resposta já está decorada.

É, acho que no fim, é a caraterística do gênero mesmo. Daí cabe também à demanda saber onde está se metendo, você disse que avisa isso aos líderes e esse é o primeiro ponto no qual você é responsável; o segundo seria de segurar a mão até onde é possível conforme o contexto permite, e é importante também conversar com os outros músicos a respeito disso, porque não adianta nada o batera segurar a mão e o resto da banda cobri-lo com uma massa sonora absurda. Inclusive, dê a dica aos caras aí para que equalizem o som de maneira mais estreita, evitando que cada instrumento pegue frequências demais, talvez isso ajude também.


<span style="line-height: 16.8px;">
Originalmente postado por Visitation_One Visitation_One escreveu:

</span>Concordo mais uma vez! Só que é exatamente essa falta de liberdade que torna a música secular tão mais atraente que a música gospel. Sinceramente, das últimas 30 músicas que aprendi, umas 6 devem ser gospel. Isso porque, como você diz, o foco da música cristã é a adoração, mas não tem mesmo conteúdo musical no gospel de 2020. Quanto à adoração vir mais fácil nos moldes do worship, isso confirma que é um estilo feito para simplesmente emocionar (quer exemplo maior do que o worship do Homenzinho Torto?) Não sei qual é exatamente o seu contexto, mas no meu (igreja batista), modismos são vistos com cuidado. Tocamos worship sim, mas umas duas músicas por semana. E sem tantas repetições ou aquela ministração infinita... cortamos a música pela metade.
Discordo parcialmente.

Vou colocar um dado meio perdido aqui mas que não serve como argumento: lembremo-nos que boa parte da música erudita do período clássico era gospel. Reitero que não serve como argumento pra nada porque esse dado não trouxe contexto nenhum.
Mais alguns outros dados jogados: a música vanguardista já foi muito popular num passado mais recente; beatles foi vanguardista e muito popular, bem como o jazz antes deles e um pouco depois o deep purple, e mais tarde o dream theater, o rush... vou forçar um pouco a barra: nirvana nos anos 90 foi vanguardista em outros aspectos para além da qualidade da composição sipmlesmente. Não que não tenha sido feito antes do Nirvana, mas este o fez e foi popular.

Agora vamos voltar pra realidade e ao tempo atual.
<span style="line-height: 1.4;">Por vários motivos que não pretendo aprofundar agora, com o passar do tempo a música de vanguarda foi se tornando algo cada vez menos popular, conforme a música foi se tornando cada vez mais produto e menos arte. Eu discordo de você porque esta tendência é geral, e não somente na música gospel (posso estar errado pois conheço pouco de música gospel). Exemplifico.</span>

Cê pega uma banda qualquer dessas que tocam em motoclube e todas tocam plush e sultans of swing. Ou até mesmo deep purple vá, mas isso já não é mais vanguarda hoje. Foi novidade quando tu tirou a música antes do ensaio há tantos anos atrás, depois que você já ensaiou isso com várias bandas e traz ao palco pela centésima vez, já não é mais vanguarda, e de certo modo também se perdeu a liberdade na música secular, pois a demanda já é específica pra um repertório.

Há sim música mais livre na música secular (independente de ser vanguardista ou não), e esta geralmente atinge um nicho restrito; a mesma coisa ocorre no meio gospel. A minha sogra é batista também e ela escuta bastante música, toda vez que chego na casa dela tá rolando um CD de música gospel. Outro dia eu escutei um que fiquei de queixo caído, era uma virtuosidade em vários instrumentos, arranjos diferenciados, quebras de tempo, acentuações e paradinhas antes do esperado e por aí vai. Eu que nem sou chegado a música gospel "ripei" o CD dela. Eu não lembnro o nome do artista mas acabei de mandar mensagem pra minha sogra e depois coloco aqui (é Paulo Cesar Baruk)
Ela faz parte do coral da igreja dela e me mostrou o vídeo que fizeram na quarentena, desses que cada um gravou em casa e depois juntaram. Era uma música bem interessante, o tom se mantinha mas a tonalidade mudava mais ou menos como se observa no blues, o coral não é tão grande mas é bem equilibrado, então fizeram brincadeiras tipo entra seção e sai outra, fica uníssono depois abre a voz, essas coisas vão fazendo contraponto com as modulações, etc... ela me disse que eles cantam coisas assim na igreja mas é bem menos comum, o que mais rola são peças simples.
Na música secular, quando tu pretende atingir um público maior ou quando você é chamado por demanda, e não por oferta, acontece a mesma coisa: você tem a liberdade de meter umas poucas músicas do seu gosto no meio do resto do repertório que é todo manjado e só. 

A fita é que a gente tem que ter muita consciência das coisas que a gente tá fazendo pra não acabar criando expectativas que serão frustradas, isso cabe ao músico e cabe também ao líder da igreja quando pede pra tocar worship: tu já avisou o cara que o bagulho vai ser barulhento!



Editado por RenanTrz - 02/10/20 as 14:52
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